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Mercado imobiliário ensaia duelo de Titãs para 2008

Mercado imobiliário ensaia duelo de Titãs para 2008

Está aberta a temporada de caça e o alvo é o bolso do consumidor. Se o público já foi bastante assediado este ano pelas construtoras e incorporadoras querendo vender o ideal de casa própria, 2008 promete ser um verdadeiro duelo de titãs onde ganha quem vende mais. Somente as 20 empresas do setor de construção listadas na Bolsa de Valores de São Paulo prometem para o próximo ano um volume de lançamentos 50% maior que o montante do exercício de 2007, saltando de R$ 24,77 bilhões para R$ 38,29 bilhões em volume geral de vendas (VGV).

Capitalizadas e com parceiros pelo País afora, elas somam quase R$ 150 bilhões em potencial de lançamentos no banco de terrenos. "Em 2006, as empresas aumentaram capital mas isso não se transformou em maior quantidade de imóveis produzidos ainda porque este movimento está vinculado à liberação de projetos nas prefeituras e disponibilidade de prestadores de serviço", pondera José Tarifa, economista e presidente da construtora Tarjab, de capital fechado.

"Estou no ramo há 35 anos e nunca esteve tão bom em liquidez. Mas o volume de lançamentos não teve tanta alteração em São Paulo, onde o tempo médio para aprovar um projeto na prefeitura este ano foi de dez meses", afirma o executivo.

Apesar do discurso comum entre as empresas líderes de diversificação geográfica e reforço no segmento econômico onde a demanda está concentrada, cerca de 40% dos lançamentos previstos para 2008 estão no eixo Rio-São Paulo e pouco mais de 35% do montante projetado será de imóveis populares, conforme as próprias empresas.

"Hoje não disputamos market share, mas que a briga vai esquentar em 2008 já está anunciado", diz André Vieira, diretor-executivo da Tenda, que atua exclusivamente na baixa renda. Para Vieira, Cyrela Brazil Realty com a marca Living, Rossi Residencial com novos planos econômicos, Gafisa com a FIT Residencial e a MRV capitalizada formatam competência clara para a disputa de mercado. "Mas na prática isso ainda não começou. Agora vamos brigar pelo mesmo universo mas ainda não pelo mesmo cliente", acredita.

Hoje a empresa tem 93 obras em andamento, mas lançou R$ 653 milhões em nove meses, dos R$ 1,5 bilhão prometidos para o ano. Vieira assegura que há tempo para concluir a meta. "Estamos tranqüilos quanto ao cumprimento de projeções. Os lançamentos não estão concentrados em uma só cidade, mas em 58 municípios, não sendo afetadas por problemas locais como atraso de cartório", diz.

Na incorporadora Agra, 18,9% do banco de terrenos de R$ 11,1 bilhões está na cidade de São Paulo e 15,8% no interior paulista. "Estamos diversificando atuação tanto no interior paulista quanto no resto do País", conta Ricardo Setton, diretor da empresa. Entretanto, apenas 4,8% dos lançamentos, estão no segmento entre R$ 1,8 mil e 2 mil/m, considerado o segmento econômico. O preço médio dos lançamentos da empresa subiu de R$ 2.540 por m no ano passado para R$ 2.690/m em 2007.

A Cyrela, maior empresa do setor, anunciou que vai lançar no próximo ano 20 mil unidades habitacionais com a marca Living, contra 4,5 mil lançadas este ano. Já a Gafisa, segunda no ranking, anunciou um volume de lançamentos de R$ 3 bilhões para o próximo ano. A empresa ainda não definiu qual será a participação do segmento econômico, mas é quando a Bairro Novo, joint-venture com a Odebrecht, começa a funcionar e a FIT toma pique.

"Este ano revimos o guidance de R$ 1,6 bilhão para R$ 1,9 bilhão, sendo R$ 200 milhões a participação da FIT", conta Wilson Amaral, presidente da Gafisa. Em outras ocasiões, o executivo já considerou a possibilidade de o segmento popular assumir papel principal na empresa, num prazo de cinco a sete anos.

Para Amaral, a disputa em 2008 pode ser mais acirrada que os números oficiais. "O País ainda tem muita construção informal, que fica fora das estatísticas. Somente Rio e São Paulo devem ter lançamentos de R$ 20 bilhões", diz. "As empresas estão com crescimentos explosivos". Com a meta de 2008, somente a Gafisa terá multiplicado por 15 seu volume de lançamentos em oito anos. Em 2000, o VGV da empresa foi de R$ 200 milhões.

Outras companhias, como a Klabin Segall, que mantinham participação dos econômicos na casa dos 5%, vão aumentar gradualmente a atuação no segmento. A KS adquiriu no último mês a Setin, que vai de imóveis populares ao luxo, e criou a marca Olá, específica para a faixa econômica.

22/11

Fonte:Gazeta Mercantil


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