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EUA e outros países devem resolver desequilíbrio comercial, diz Fed

Fonte: Folha Online
13/09/2007

 

Os Estados Unidos (EUA) e outros países precisam trabalhar em conjunto para corrigir os desequilíbrios no comércio e nos investimentos mundiais, de modo a promover a estabilidade econômica no mundo todo, disse nesta terça-feira o presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke.

Segundo ele, os "desequilíbrios globais" ocorrem quando países como os EUA enfrentam déficits comerciais crescentes, enquanto outros países, como a China e países exportadores de petróleo, acumulam grandes superávits em suas balanças comerciais.

"Sinais de progresso" para a solução dessas disparidades "têm aparecido (...) mas a maioria dos países apenas começou a adotar as mudanças políticas necessárias", disse Bernanke, em um evento em Berlim.

O presidente do banco não deu nenhuma indicação de qual poderá ser o rumo que a taxa básica de juros (a dos fundos federais, principal da política monetária americana) do Fed poderá tomar na próxima semana, quando o Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês, equivalente ao Copom no Brasil) se reunirá para decidir se irá mexer na atual taxa, de 5,25% ao ano.

A expectativa entre analistas e investidores é que o Fed corte sua taxa de juros, depois de mantê-la no atual patamar, para o qual foi elevada em julho de 2006.

Ontem, o presidente do Fed de Nova York (uma das 12 divisões regionais do BC americano), Frederic Mishkin, disse que o Fed está "disposto a atuar" para evitar que a atual crise financeira detenha o crescimento econômico do país. A atual crise foi provocada pelo crescimento da inadimplência das hipotecas de risco, que afetaram um mercado imobiliário que já estava em declínio.

Também ontem, a a presidente do Federal Reserve de San Francisco, Janet Yellen, disse que os riscos de um declínio para a economia americana tiveram um claro crescimento com a recente turbulência nos mercados financeiros mundiais, mas as implicações para a política monetária dos EUA permanecem "incertos".

"Embora eu ache que a atual situação financeira tenha pesado muito sobre os riscos de declínio sobre a atividade econômica, temos de lembrar que as condições podem mudar rapidamente para melhor ou para pior --especialmente nos mercados financeiros--, então é difícil no momento falar com muita confiança sobre desenvolvimentos econômicos futuros", disse Yellen.

O temor entre analistas e investidores é que a crise iniciada no mercado de hipotecas de risco e que teve efeitos mais graves até o momento apenas no mercado financeiro (sem afetar diretamente a economia real) possa levar o país a uma recessão.

O sinal mais recente de que a economia pode estar sendo afetada pela crise foi divulgado na sexta-feira (7): em agosto foram eliminados 4.000 postos de trabalho no país, primeiro resultado negativo desde 2003.

Na sexta-feira mesmo, o conselheiro econômico da Casa Branca (cargo que já foi ocupado por Bernanke), Ed Lazear, afirmou que os problemas no setor imobiliário nos EUA levarão alguns meses para diminuírem, porém uma recessão é improvável. "Sempre há uma chance de recessão, mas não achamos provável", disse ao canal de televisão CNBC.


 

 




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